O bicho-da-seda é a larva de uma mariposa. Quando nasce mede cerca de 2,5 mm de comprimento. Durante 42 dias alimenta-se sem parar, de folhas de amoreira e sofre quatro metamorfoses.
Quando atinge o tamanho de 5cm, começa então a tecer um casulo branco e brilhante, composto por um único fio. Com um movimento geométrico infinito, em torno de seu próprio corpo, após três dias de trabalho, estará envolta em um casulo confeccionado por um fio de aproximadamente 1200 metros. Se for deixada em paz... Em 12 dias se transformará numa borboleta.
Com esses fios, há quase três décadas, ando tecendo a minha história. Por um desejo simples, desprovido de maiores intenções, eis aqui um espaço onde me proponho a compartilhar minha trajetória e falar livremente sobre todo tipo de arte, incluindo a arte de viver.
Bem-vindos ao meu mundo, onde nem tudo é sempre colorido, transparente, leve, mas que guarda em si, todas essas possibilidades...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O "imprescindível" currículo





Para a maioria das pessoas que quer saber, limito a dizer que: Desenhei e pintei desde a infância e tive uma formação não acadêmica quando trabalhei para uma industria têxtil, a "Artex" em Blumenau-SC. Daí desenhei para todo tipo de estamparia daquela região, especialmente cama-mesa-banho, até descobrir a bendita seda pura que me levou à Europa em busca de aperfeiçoamento técnico. Trabalhei para Instituto Português do Patrimônio em Lisboa e para Louis Fèrraud em Paris onde também recebi um prêmio de pintura em seda pela Artès Galerie. Na volta, trabalhei para Clodovil Hernandez,Isabel Cristina Gonçalves, Das Lu entre outros tantos estilistas e Griffes de São Paulo e Rio. Criei tecidos para atender projetos de arquitetos de interiores até chegar na cenografia e figurino da TV Globo, com destaque para a novela "O Clone" onde todas as sedas do núcleo marroquino, cenário e figurino, foram pintadas em meu atelier. Atualmente, além de continuar atendendo à moda e decoração, cenografia e figurino de TV e teatro, desenvolvo um trabalho de arte pura utilizando sempre a seda como suporte e blá, blá, blá...
Quem me conhece, sabe o quanto detesto fornecer o currículo. Penso que se uma obra não se garante por si mesma, nada e ninguém irá justifica-la. Sei que meu currículo já é respeitável. Sei que posso inclusive, estar conquistando o seu respeito e sua admiração, nesse exato momento. Se assim vier a acontecer, que não seja pelo texto acima. Antes seja pelo texto que seguira abaixo... por tempo indeterminado, a partir de agora.
Quando decidi ir para dentro da minha casa pintar seda eu não tinha muito, além de um desejo inabdicável de pintar seda. Naquela época, no Brasil não havia nada, nem grandes referências de pintura, tampouco materiais para tanto. Comecei com um kit trazido da Inglaterra por uma amiga, que claro, só serviu para apontar o caminho. De lá pra cá, salvo o tempo que vivi na Europa, minha vida se tornou uma busca incessante por obter os recursos para trabalhar bem, e isso vai muito alem desse breve comentário... Há muito pouco tempo, disponho aqui de tintas e materiais complementares. Foi só quando uma outra "louca" chamada Denize Meneguello, teve a ousadia de montar neste país, uma loja com produtos de qualidade para pintura sobre seda, que minha vida ficou mais fácil.
O trabalho acima foi realizado ainda em tempos de seca e eu gosto muito de contar sua história: É fácil deduzir que um artista que vive do seu trabalho, entretanto não dispõe de materiais acessíveis para trabalhar, não trabalhe. E que por consequência não tenha recursos financeiros para viver, que dirá, para importar suas tintas. Num dia, desses em que a gente está quase por desistir, por cansaço e por descrença, eu tomei meu único meio metro de seda, mais as gotas de tinta que havia e pintei esse peixinho aí em cima, com cara de quem não tem nada com isso. O corante para seda, depende de um processo de fixação à vapor que é o desespero de quem pinta. Um sofrimento parecido com o dos ceramistas que metem a peça no forno e ficam do lado de fora rezando para ela não se partir. Justamente nesse dia eu esqueci de rezar. Quando tirei a seda do vaporizador ela estava com as manchas d'água que danificam todo o resultado. Desolada, passei a desfiar a seda numa atitude de quem destrói. Não havia mais nada a fazer. Escrevi no meu diario a seguinte frase: "E do sonho de seda pura, só restaram alguns fiapos". No meio da noite, ao retornar atelier, percebi que a retirada dos fios horizontais, alem de disfarçar as imperfeições, dava um movimento e criava um efeito tridimensional fantástico. Acabava de descobrir uma nova e maravilhosa forma de me expressar que imediatamente foi aceita pelo arquiteto João Armentano e que me rendeu recursos para prosseguir e alcançar outros espaços importantes. A partir disso, ja não bastava pintar, era necessário desfiar a seda e isso requeria tempo e paciência. Assim, a nova descoberta acabou rendendo trabalho para outras mãos habilidosas que também não tinham acesso a muito nessa vida...
Com "aqueles fiapos" que me restaram passei a tecer uma nova historia. O que de melhor e de mais autêntico eu produzi nesses tantos anos, nasceu sempre do erro e do descaminho. Creio que está tudo certo, mesmo quando eu penso que não está...

quarta-feira, 6 de maio de 2009




Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa

domingo, 3 de maio de 2009

Eu vou, ele vai, nós vamos

 

 

 
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"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais"

Eu vou. Eu não tenho medo das mudanças. Eu não tenho medo do silêncio.
Eu vou virar bicho da seda de vez, porque bicho da seda é antes de tudo
Bicho do mato
Eu vou!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Para ser grande



"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive".

"Se planejamos para um ano, plantemos cereais.
Se planejamos para uma década, plantemos árvores.
Se planejamos para uma vida, tratemos de educar o homem"

terça-feira, 7 de abril de 2009

Almofada para leitura





Ta bem, não é novidade mas essa é a minha versão da almofada de leitura, que serve também para apoiar um lanchinho na frente da tv, para o notebook, para manicure, para escrever, para pintar, para o que a gente inventar que precise de uma mesinha portátil.
Gostou?
Eu não vivo sem a minha!
Clique na foto que ela cresce

Uma pausa para leitura

 
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Clique na foto que ela cresce

Ou...
Uma pausa na leitura
Para ambos os casos, deixo aqui os novos marcadores de livro.
Feitos em seda pintada, fixada sobre papel especial
Quem vai querer?
Só R$ 8,00 por uma pequena obra de arte.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres de Paraty II

 
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Nova edição do "Mulheres de Paraty" desta vez no Banco do Brasil agência Paraty.
Inaugurou hoje, com um delicioso café da manhã, a mostra em comemoração ao dia da mulher.
E lá vou eu mais uma vez, feliz com a vida que escolhi e com o que a vida tem me oferecido.
O gato da foto veio assim: A vida me ofereceu... e eu aceitei... Claro! Mas isso é assunto para um outro post...talvez para um livro sobre a minha busca do amor, finalizando com o amor desse homem: Um amor tardio que entrou nos meus ossos e que anda comigo.
(Depois eu explico o que isso tem a ver com arte e com mulher de Paraty).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Diálogo



- O que você faz?
- Sou artista plástica e você?
- Sou obstetra mas quando me aposentar tambem quero fazer arte.
- Eu, quando me aposentar, quero fazer cesarianas.


Fala sério!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pendura aí







Pendura aí as suas chaves e o casaco.
Pendura aí o que pode ficar para amanhã ou o que está pesado demais.
Só não pendura as chuteiras... que isto não foi feito pra isso.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

 
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Eu gosto de estar junto a natureza porque sinto constantemente a presença de Deus.
Eu gosto de ter um filho por perto porque sinto constantetemente a graça de Deus.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vassourinha Mágica

 

 
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Isso começou assim:
Eu tinha uma vassourinha para recolher as migalhas de pão que caem sobre a mesa. Mas a Tadinha, era velha e feia, porém ainda muito eficiente. Por conta de uma certa gratidão, resolvi dar-lhe uma roupinha nova. Eis que a Tadinha virou foco dos olhares e da cobiça. Todo mundo queria levar a tadinha embora a qualquer preço.
Para resolver a situação decidi percorrer as lojas da cidade recolhendo suas irmãs, empoeiradas e pálidas a espera de um sopro de vida.
Agora todo mundo pode ter uma vassourinha alegre como uma manhã de sol, inclusive você. Por apenas 20,00+frete ela chegará até sua mesa.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

 
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Eu quero
O inesperado
O inexplicável
O inesgotado
O inabdicável
É disso que é feito
O canto
Que canta
Em cada canto
do meu encantamento

domingo, 25 de janeiro de 2009

Eu voltei...

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Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei

Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei

Eu voltei
Agora prá ficar
Porque aqui
Aqui é meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz
Entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei
E eu falei

Onde andei
Não deu para ficar
Porque aqui
Aqui é meu lugar
Eu voltei
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei

Eu voltei
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é o meu lugar
Eu voltei
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei

Gente querida!
A esta hora da madruga, depois de uma viagem longa, não disponho de nada mais autêntico, para dizer que eu voltei, porque senti saudades.
A gente se encontra aqui...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Reflexão para as férias


"Yo quisiera poder hacer lo que me de la gana detrás de la cortina de la locura.
Asi, arreglaría las flores todo el día, pintaria el dolor, el amor y la ternura.
Me reiria a mis anchas de la estupidéz de los otros y todos dirian:
Pobre! Está loca!"
Frida Kahlo

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Esperança



"Nunca deixará de ser espantoso, como uma coisa tão leve, a que se chama esperança, pode encher uma alma."
-Pedro Paixão-