O bicho-da-seda é a larva de uma mariposa. Quando nasce mede cerca de 2,5 mm de comprimento. Durante 42 dias alimenta-se sem parar, de folhas de amoreira e sofre quatro metamorfoses.
Quando atinge o tamanho de 5cm, começa então a tecer um casulo branco e brilhante, composto por um único fio. Com um movimento geométrico infinito, em torno de seu próprio corpo, após três dias de trabalho, estará envolta em um casulo confeccionado por um fio de aproximadamente 1200 metros. Se for deixada em paz... Em 12 dias se transformará numa borboleta.
Com esses fios, há quase três décadas, ando tecendo a minha história. Por um desejo simples, desprovido de maiores intenções, eis aqui um espaço onde me proponho a compartilhar minha trajetória e falar livremente sobre todo tipo de arte, incluindo a arte de viver.
Bem-vindos ao meu mundo, onde nem tudo é sempre colorido, transparente, leve, mas que guarda em si, todas essas possibilidades...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

OFFLINE



Quando eu não sei o que pensar...não penso!

Quando eu não sei o que pintar...não pinto!

Quando eu não sei o que dizer...nem Deus me faz abrir a boca!

Quando eu quero dizer mas sei que não devo...

Peço a Deus que cuide dos meus pensamentos, cale a minha boca e trave esse teclado!

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Klimt e Rumi


Saberias preparar um remédio,
Feito da matéria do encontro
E dá-lo ao ferido que te entregou olhos e coração?
Atenta para as sutilezas que não se dão em palavras.
Compreende o que não se deixa capturar pelo entendimento.
Caso precise, toma emprestada uma alma e um par de olhos,
Caso também não os tenha.
Já falaste de amor em demasia.
Agora torna-te amante,
Ama!


domingo, 24 de agosto de 2008

Dai-me Rosas

Dai-me rosas e lírios,
Dai-me flores, muitas flores
Quaisquer flores, logo que sejam muitas...
Não, nem sequer muitas flores, falai-me apenas
Em me dardes muitas flores,
Nem isso...
Escutai-me apenas pacientemente quando vos peço
Que me deis flores,
Sejam essas as flores que me deis...
-Fernando Pessoa-
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sábado, 23 de agosto de 2008

Meus Carnavais






Composição: Evaldo Gouveia e Jair Amorim
BLOCO DA SOLIDÃO
Angústia, solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai, meu bloco, vai
Só desse jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
Levo o estandarte de um amor
O amor que se perdeu
No carnaval
Lá vai, meu bloco
Lá vou eu, também
Mais uma vez, sem ter ninguém
No sábado e domingo
Segunda e terça-feira
E quarta-feira vem
O ano inteiro é sempre assim
Por isso, quando eu passar
Batam palmas pra mim
Aplaudam quem sorrir
Trazendo lágrimas no olhar
Merece uma homenagem
Quem tem forças pra cantar
Tão grande é minha dor
Pede passagem quando sai
Comigo, só
Lá vai, meu bloco, vai...


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Quanto tempo?

Se há uma pergunta que nenhum artista suporta e da qual nenhum artista escapa é esta:
"Quanto tempo você levou para executar essa obra?"
Como se o valor de uma obra de arte estivesse condicionado ao tempo de execução.
No princípio eu respondia constrangida que levei 30 dias. A decepção era clara. Para justificar o valor, gostariam de saber que passei um ano da minha vida debruçada sobre aquele pedaço de seda.
Depois aprendi a apenas sorrir, um sorriso de Mona Lisa que ate hoje ninguém entendeu.
Atualmente, consigo bancar uma resposta sincera e que satisfaz a toda a gente:
"Levei 30 anos para conseguir pintar esta rosa, em exatos cinco minutos."

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Yves sain Laurent

Uma deliciosa citação de Yves Saint Laurent:

"Uma mulher para estar bela, só precisa de um suéter negro, uma saia negra e estar ao lado do homem que ama.
A coisa mais bela que uma mulher pode vestir, são os braços do homem amado.
Para as que não tiveram a sorte de encontrar, aqui estou eu."



Infelizmente YSL não está mais entre nós e com certeza perdemos uma das maiores expressões em moda de todos os tempos.
Ele foi responsável, junto com Pierre Cardin, pelo que chamamos de multiculturalismo na moda, antes mesmo desse termo existir, ao chamar modelos de feições não européias para a sua passarela.
Ele promoveu a igualdade dos sexos, antes mesmo das feministas queimarem seus sutiens em praça pública com o “le smoking”, que a chave estava na calça de smoking para mulheres numa época que o sexo feminino tinha como suas peças mestras as saias e os vestidos.
Ele entendeu que mais que um glamour ligado à grana, ele está ligado à atitude e por isso abriu uma loja na chamada Rive Gauche de Paris, identificada por ser a região dos intelectuais, militantes de esquerda e estudantes. E com isso impulsionar para uma posição de destaque o recente prêt-à-porter.
Pra dizer o mínimo, é isso!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Lugar comum


Ai meu Deus!
Quando eu penso que tenho a casa limpa, descubro esse lixo embaixo do tapete. Quem foi que inventou que a primeira impressão é a que deve ficar?
Quando é boa, tudo bem, mas e quando não é?
Imagino que tenha sido alguém que se julgue acima do bem e do mal.
Que coisa mais antiga, velha, bolorenta.
Talvez ainda seja válido para entrevista de emprego, mas não para a vida.
Ah! como é doce analisar as pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Amargo é refletir sobre minhas próprias dificuldades, fragilidades, debilidades e imbecilidades, dades...dades...dades...
É fácil julgar, leva pouco tempo.
Difícil é ser justo na primeira impressão e antes que a pessoa se vá.
E além do mais, ninguém é grande o suficiente para ser tão intolerante.
Maldito clichê!
Quantas pessoas especiais posso ter perdido, apenas porque no momento em que as encontrei, elas não estavam em seus melhores momentos.
Quantas coisas deixei de conhecer, experimentar, apenas porque no momento em que tive contato com elas, eu, não estava no meu melhor momento.
Tenho pena de só ter pensado nisso hoje.
Tenho sorte de ter pensado.



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Gatos do mesmo baláio




Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ….
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer …
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinícius de Moraes
( Encontrar amigos pode ser uma sorte... Cuidar da amizade só pode ser uma arte...)
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domingo, 17 de agosto de 2008

Klein, o schnauzer mais amado do mundo.


Se eu pintar o meu cachorro
exatamente como ele é,
terei no máximo dois cachorros.
Isso não é uma obra de arte.
Mas ele não é lindo?

sábado, 16 de agosto de 2008

Palavras ao vento


http://br.youtube.com/watch?v=6XD1hV5ObHA


Este texto, atribuido a um conhecido apresentador global, é na verdade, de Adriana Falcão - Pequeno Dicionario de Palavras ao vento. O vídeo conta com o auxílio luxuoso da interpretaçao de Lazaro Ramos

Adriana Falcão nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em Recife. Seu primeiro livro, voltado para o público infantil, "Mania de Explicação" , teve duas indicações para o Prêmio Jabuti/2001 e recebeu o Prêmio Ofélia Fontes - "O Melhor para a Criança"/2001, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2002, publicou "Luna Clara & Apolo Onze" , seu primeiro romance juvenil. Seu romance "A Máquina" foi levado aos palcos por João Falcão. Na televisão, Adriana colaborou como roteirista em vários episódios de "A Comédia da Vida Privada", "Brasil Legal" e "A grande família" e "Mulher", todos da Rede Globo. Adaptou, com Guel Arraes, "O Auto da Compadecida" , de Ariano Suassuna, para a TV, posteriormente levado ao cinema. Seu livro "O doido da garrafa" , Editora Planeta do Brasil - São Paulo, lançado em abril/2003, contém pequenos contos publicados na revista "Veja Rio" no período de 2001 a 2003.

Justiça seja feita!

E ainda...
Tomo emprestado da Adriana:
"Desculpa é uma palavra que pretende ser um beijo"
( mas que as vezes não acontece)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Pode alguém dar mais do que possui?


Ó Deus Altíssimo!

Três coisas eu Te dei:

Amor, lealdade e esforço;

E nisso eu não falhei.

Porém, ó Bem-Amado,

Quantos pecados se entramaram

Em meus esforços!

Quanta indignidade mesclada

Em cada átomo do meu amor!

Que pobre a lealdade

Dada com toda a afeição que eu tinha!

Mas, pode alguém dar mais

Do que aquilo que possui?

Cada flor desabrocha

Conforme a sua natureza

Cada lâmpada brilha

Sua própria medida de óleo.

Ah, fosse eu de melhor natureza

E o tesouro à Tua porta

Seria de jóias com brilho de estrelas!

Como uma criança que brinca

Ao lado da vastidão do oceano

E que reúne suas conchas e seixos

Sua pequena loja

No encontro das ondas com a praia

E traz esse brinde de bugigangas

Para o colo de sua mãe,

Assim eu trouxe a Ti

Tudo o que eu tinha!

Ó Deus aceita-o

Em tua Graça

Perdoa Tua filha

E toma-a nos teus braços!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Estás deprimido?



Não estás deprimido, estás distraído ……Distraído em relação à vida que te preenche,
Distraído em relação à vida que te rodeia,
Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo.
Além de tudo, não é assim tão ruim viver só.
Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me… o que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.
Não estás deprimido, estás distraído. Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado.
Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma.
Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas… alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições.
Não perdeste coisa alguma: Aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte… Apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, Santo Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz.
Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu.
Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te : “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)… Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido… portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado.Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas. O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
Vale a pena, não é mesmo?.
Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela.
Se ele possuísse uma carteira, tua foto estaria nela.
Ele te envia flores a cada primavera.
Ele te envia um amanhecer a cada manhã.
Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o teu coração. Encara, amigo, Ele está louco por ti!
Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas, e luz para o caminho.
Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir.
Facundo Cabral

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Poeminha


Quando distante se põe o sol
Põe-se a suspirar o girasol




Quando aparece a lua formosa
Põe-se a suspirar a rosa



Quando das nuvens chove a vida
Põe-se a suspirar a margarida



E mesmo quando tudo está sem jeito
Põe-se a suspirar o amor-perfeito



É que as flores sempre lembram

Das coisas que a gente esquece


O menino que escreveu este poema, hoje é um homem, e dos bons!
Ou será que ele ja era um homem dos bons, quando escreveu este poema?
Bem... deixo aqui todas essas flores, para todos os meninos e meninas que passarem por aqui, nesta abençoada, ensolarada e inusitada terça-feira.



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Leãozinho



Mais um ano na história da nossa eternidade.
Que história linda a nossa!
No começo... era tu e eu
Tu dentro de mim
Tu nos meus braços
Dos meus braços para a rua
Rua que levou-te para uma terra distante
Mais um ano percorrendo as pequenas distâncias
Do bem-querer
Do amar incondicional
Mais um ano de afeição e doçura
De carinho e ternura
Hoje eu cruzo mares e montanhas a tua procura
Com meu olhar ceguinho de saudade
E encontro o teu...
Que é o olhar mais doce e meigo que eu conheço
Que posso oferecer-te nesse dia?
Que ainda queres ou precisas tu de mim?
Resta-me apenas um abraço e uma prece
Colhidos no coração do meu coração
E até que nos encontremos novamente
Possa o vento soprar forte as tuas costas
Possa o sol brilhar quente em tua face
Possa a estrada abrir-se larga a tua frente
Possa Deus guardar-te amorosamente na palma de Sua mão.




Insonia?


Poucas coisas me tiram o sono:
Um trabalho estimulante, uma conversa animada, um homem interessante e uma boa batucada.
De resto: As tristezas, as desilusões, as coisas em que eu não posso interferir, as preocupações, o desamor, e as dores de cabeça, me dão um sono danado.




domingo, 10 de agosto de 2008

O dia dos pais


Inventaram de inventar que precisava existir um dia para os namorados outro para as mães e outro para os pais. Colocando nessa ordem até que a coisa faz sentido. Um casal namora, depois ela fica mãe e nove meses depois ele fica pai. O dia dos namorados eu ate que entendo bem que precisava existir. As vezes o namoro fica tão devagar que é preciso uma campanha nacional para reaquecer a relação. Mas francamente nunca entendi essa do dia das mães e dos pais. Tanto que no ano passado aconteceu uma coisa engraçada: Numa manhã de domingo um dos meus filhos me ligou bem cedinho e começou a falar de amor, das minhas qualidades uma por uma, de orgulho, de gratidão. Tinha um tom emocionado na voz que incomodada, me fez interromper:

-Filho! não to entendendo... você por acaso nesta noite sonhou que eu morri?

-Eita mãe, se liga! hoje é segundo domingo de maio...

-Ah!

Mas como eu ia dizendo, não entendo que precise existir um dia pra dizer "Eu te amo" para alguém que está ali todos os dias, dando o que tem e o que não tem. Nunca fiquei esperando por um domingo para me sentir amada. Dizem que fui pai e mãe, mas isso não é verdade. Fui só mãe, mãezinha e mãezona e nunca ninguém esqueceu disso. Tampouco meu pai ficou esperando por um outro domingo pra ter a certeza do meu amor. Aliás, duvido que ele vá passar esse dia em casa, esperando que eu ligue, porque liguei ontem, anteontem e provavelmente vá ligar amanha, talvez não.

Ou será que esse dia foi inventado por outros motivos?...

Será que foi pra fazer com que algumas mães e alguns pais meio esquecidos, lembrassem dos filhos que puseram no mundo?

Aí para mim, a coisa começa a fazer mais sentido...

Hoje é o dia dos pais. Porem a inspiração que me faz debruçar sobre esse tema não provem do fato em si e nem é razão de comemorações. O motivo esta num hospital bem longe daqui, onde um pai luta sozinho pela saúde de seu filho e esta lá, pra o que der e vier e disposto a tudo para que ele tenha um lugar seguro nesse mundo. Peço licença portanto à quem não tem nada com isso, para dedicar este post exclusivamente a esse Homem e a esse bebezinho. Eles se chamam, Pai e Filho. Gostaria que eles se sentissem dentro de um longo abraço e queria dizer outras tantas coisas tambem...Mas essas, ficam para um outro post que vai direto para o céu...
Ps: Pai, se você passar por aqui... Feliz dia dos pais, tá!




sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O detalhe que fez toda a diferença...

Em 1993 desembarquei em Paris com um francês preso na garganta, um queixo tremendo de frio, um coração cheio de esperança e meu trabalho debaixo do braço.
No aeroporto dois amigos me aguardavam. Um francês que morou muitos anos no Brasil e um brasileiro que já morava na França há outros tantos e essa era toda a referência de aconchego que sentia, diante do desconforto do desconhecido. Mas isso não durou muito... Passamos aquela tarde passeando num Honda vermelho, fazendo um tour por toda a cidade. Ao anoitecer assisti o espetáculo que é estar na Champs Elysées no momento em que as luzes se acendem (!!!) No dia seguinte me ensinaram comprar bilhetes no metrô, me deram um guia e uma bússola, uma lista de endereços interessantes e a chave da casa. Um partiu para Tokio, outro par Banckok e eu passei dois dias dentro de casa tentando assistir televisão, comendo baguet com queijo roquefort que eram as únicas coisas que eu sabia comprar com segurança. Na rua, 8 graus a baixo de zero. Uma vontade irresistível de ficar dentro de casa esperando o verão e meus amigos voltarem. O único lugar que eu sabia ir sem dificuldades era ao aeroporto... Mas, não sei como... eu afinal estava em Paris e tinha que ir a luta. Comecei por realizar o grande sonho que era conhecer a boutique H Dupont, loja da fábrica da melhor tinta pra seda do mundo! Paguei um mico legal, minha emoção ao entrar naquela loja, escorria por debaixo dos óculos escuros. Estava diante de tantas coisas imprescindíveis para minha felicidade. Materias que eu só conhecia pelas revistas, instrumentos perfeitos e tão superiores aos que eu inventava para conseguir os mesmos resultados mas meus francos... tão parcos. Mesmo assim, pedia para ver tudo apesar da ma vontade tipicamente francesa de atender.
Por uma dessas coincidências que de coincidência nada tem, estava também visitando a loja uma Angolana/Francesa que falava um pouco de português (Deus é bom!) e apaixonada também pela pintura em seda. Começamos a trocar nossas experiências, ela tinha alguns trabalhos que me mostrou e eu tinha esse, da foto aí em cima, que na verdade é apenas um recorte de uma cena bem mais ampla. Ela ficou muito impressionada por um detalhe, um filete preto que contorna as figuras e que era impossível de se obter na seda, por uma questão técnica que não vem ao caso explicar aqui. Ela pediu para mostrar ao gerente antipático o meu trabalho. Ficaram ali dissecando a minha pintura por uns 15 minutos sem eu entender direito o que estavam falando. Depois disso recebi o primeiro sorriso francês da minha vida e um pedido para encaminhar o trabalho para a apreciação do dono da fabrica. Insegura... consenti.
Voltei lá dois dias depois, ansiosa para resgatar meu "paninho". Ah! convoquei a amiga angolana para ir comigo, claro! para encurtar esta historia, que isso não pretende ser uma biografia, encontrei o tal gerente muito mais simpático que me entregou uma carta do Monsieur Yard, o diretor da fabrica, me convidando para conhecer a industria em Saint Nazaire, (uma região linda por sinal) onde recebi por 15 dias todo o apoio técnico que precisava para poder trabalhar com a nova tinta e todos os materiais que meu dinheiro não podia comprar, tudo isso em troca de ensinar a fazer aquele filetinho.
No ano seguinte patrocinaram uma exposição em Paris, na artès galerie onde acabei levando o prêmio de melhor trabalho e nos anos seguintes, mesmo estando de volta ao Brasil, muitas vezes me apoiaram.
Mas o mais interessante dessa história na minha opinião, tem um fundo filosófico. O descaminho. Que quando sabemos trilhar, pode nos levar a "encontrar lugares surpreendentes". Essa técnica que me rendeu todas essas oportunidades, na verdade nasceu também de um erro. Quando morava em Lisboa, me sustentava com a produção e venda de lenços e gravatas para alguns políticos mais arrojados. Uma coleção inteira se perdeu naquele bendito processo de fixação que já contei no post do peixinho. A técnica do filete nasceu da necessidade e da intenção apenas de salvar aquelas gravatas e acabou por enriquecer e modificar todo o resultado. Não perdi nenhuma, além disso aumentei o preço e ninguém reclamou.
Et vive la différence!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Bate outra vez...


O que há em mim é sobretudo amor.
Ele é o senhor das minhas horas.
Ele andou riscando meu rosto com uma navalha fina, sem pressa, sem rancor.
Disso dão testemunho minhas cicatrizes
Umas por amor aos meninos
Outras por amor a arte
Outras pelo amor que eu não achei.
Amor! Não me deixe voltar frustrada de tua porta
Vai dizer a esse destino que insiste em ser destino
Que eu insisto, persisto...não desisto.



terça-feira, 5 de agosto de 2008

Onde é que ha gente no mundo?


Para quem como eu está "farto de Semideuses"





Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ultima exposição







Nuno Damas - diretor do Centro Cultural Casa Majdam

Uma construção integrada à mata atlântica, aberta e acolhedora, levantada à propósito para quem ama a beleza, a arte, a música e o silêncio. Noite feliz...muito feliz!


domingo, 3 de agosto de 2008

Aquarela


Deve ser amor, quando, da vida... do passado, do presente e do futuro de uma pessoa, a gente quer tanto o melhor quanto o pior. Esta é a minha medida do amor. Se assim não for, bastará um pouco de luz para ver que tudo não passa de uma paisagem, uma aquarela pendurada perto da janela...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Eu pinto...

Amar é preciso para pintar...







Ser amada...Nem tanto!






Coração Valente

Todos os dias, todos mesmo, eu recebo de alguém um elogio sobre os colares e brincos que eu carrego. Até os homens, que normalmente se detém mais a colos do que a colares, frequentemente se prestam a comentários sobre a beleza e originalidade das minhas peças. Tudo o que eu carrego com vaidade e com orgulho, nasce nas mãos de Ivone Baron que é uma artista e das boas! Daquela que se compromete mesmo com a coisa. Que trabalha mais do que aguenta, que tem crise criativa e sofre, mas que depois da crise, CRIA e o resultado disso...é isso!

(clique nas imagens para ver os pormenores)















Certa vez quando eu apresentava uma coleção de lenços a uma cliente, ela após fazer suas escolhas disse: "Bem, agora vou sair a procura de casacos que combinem com essas cores." Me senti muito valorizada, podia ser o contrario, escolher as sedas que combinassem com seus casacos, assim como as pessoas escolhem quadros que combinem com seus sofás...Bem, o que estou querendo dizer é que com as jóias de Ivone acontece a mesma coisa. Olho para minha coleção e escolho a que mais combina com meu estado de espírito naquele dia e depois abro o armário a procura de uma roupa que combine com aquela escolha, até mesmo com uma camisetinha básica o sucesso é garantido!
Tem um outro lado dessa historia que eu não poderia deixar de contar. Ivone trabalha num anexo de sua casa, no interior de São Paulo, em meio a um jardim onde cultiva flores para os colibris, ervas aromáticas, suculentas entre outras espécies raras. Muitas de suas criações já foram inspiradas no seu próprio jardim. Trabalha com o apoio indispensável da Val, que tem mãos de ouro e é sua fiel escudeira e da Geny, que garante comida boa todo dia ao meio dia. Não tem lojas, não tem griffe, não tem nem site. Quem vê a pequena estrutura de seu atelier nunca imagina que aquilo seja uma empresa com a capacidade de produção que tem, com organizaçao, método, logística e controle de qualidade. É que por tras disso existe uma linha de produção fragmentada nas mãos de pessoas a quem Ivone estendeu uma oportunidade de resgatar a auto-estima. São mulheres carentes, deficientes físicos, alcólatras em recuperação, adolescentes aprendendo um ofício. Cada um executa a parte para que esta habilitado. Para alguns esse trabalho representa o sustento da vida, para outros um complemento, mas para todos, Dignidade. Pra quem disse que não da...taí a Ivone pra provar que da!

Um talento
Uma ideia uma paixão
E la vai ela por uma estrada
Sem saber onde vai dar
E caminha tropeça e cai
Cansa descansa e levanta
Insiste persiste e prossegue
E consegue canta e dança
Mas de novo chora
Ora implora
Desespera pede e espera
E corrige aprende e ensina
Soma multiplica e divide
E então ...
Num belo dia se dá conta
Que conta em conta
Andou construindo sua alma
Olha ela!
Já vai loooonge
Lá vai ela ...