O bicho-da-seda é a larva de uma mariposa. Quando nasce mede cerca de 2,5 mm de comprimento. Durante 42 dias alimenta-se sem parar, de folhas de amoreira e sofre quatro metamorfoses.
Quando atinge o tamanho de 5cm, começa então a tecer um casulo branco e brilhante, composto por um único fio. Com um movimento geométrico infinito, em torno de seu próprio corpo, após três dias de trabalho, estará envolta em um casulo confeccionado por um fio de aproximadamente 1200 metros. Se for deixada em paz... Em 12 dias se transformará numa borboleta.
Com esses fios, há quase três décadas, ando tecendo a minha história. Por um desejo simples, desprovido de maiores intenções, eis aqui um espaço onde me proponho a compartilhar minha trajetória e falar livremente sobre todo tipo de arte, incluindo a arte de viver.
Bem-vindos ao meu mundo, onde nem tudo é sempre colorido, transparente, leve, mas que guarda em si, todas essas possibilidades...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sawabona-Shikoba



Compartilho aqui esse precioso pensamento do Dr. Flávio Gikovate que me induziu a uma investigação ainda mais profunda sobre minhas posturas afetivas. Me fez lembrar de muitas pessoas que ainda estão carregando fantasia sobre fantasia, na sua busca pelo amor.
Me fez lembrar com muito carinho de uma amiga querida, autora de um livro sobre este tema, além de se debruçar diariamente sobre um blog que facilita a vida de muita gente que teve a coragem de tomar nas próprias mãos, sua vida e a chave de sua casa. Dedico portanto este post a minha amiga Rosane Queiroz
"Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio.
As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito do amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência onde um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de que uma pessoa seja o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer desde o início deste século.
O amor romântico, parte da premissa de que somos uma fração e que precisamos encontrar a outra metade para os sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização, que historicamente, tem atingido muito mais a mulher. Ela abandona suas características para amalgar ao projeto masculino.
A teoria dos opostos também vem desta raiz: o outro deve saber fazer o que eu não sei, se sou manso ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma idéia pratica de sobrevivência, pouco romântica por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo.Eu gosto e desejo a companhia mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo o valor de estar consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fração mas são inteiras. O outro, com quem estabelece uma relação não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma, é apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para poder se adaptar ao mundo que ele criou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria e se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades.Ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo estiver preparado para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa. Ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade a pessoa. As boas relações são aquelas que se assemelham ao prazer de estar sozinho, ninguem cobra nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas, são coisas do século passado. Cada cérebro é único,nosso modo de pensar e agir, não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea, e na verdade o que fizemos foi inventa-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinha para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto as diferenças respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de relação há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado pelo amado. Muitas vezes é preciso aprender a nos perdoar a nós mesmos".

Sawabona é um cumprimento usado no sul de África que quer dizer “eu respeito-te, eu valorizo-te, tu és importante para mim”. Em resposta, as pessoas dizem shikoba, que é “então eu existo para ti”.
E o gatinho (embora não seja africano) está aí como representante de uma classe independente, bem resolvida e muito afetuosa.

9 comentários:

vida cotidiana disse...

Nossa seu texto tem tudo haver, realmente, se não sabermos viver com nós mesmos, não saberemos viver com ninguém.
E o gato é um exemplo fiel disso, sabe ser carinhoso ao extremo, mas preserva sua individualidade. bjs

Rosane Queiroz disse...

Querida Ita

Sawabona!

obrigada pela dedicatória, o texto traduz mesmo o conceito de relação que eu acho que vale a pena


besitos, ro

Ita Andrade disse...

SHIKOBA!!!
Rosanita dos besitos (rs)

Calabresa disse...

Esse texto é perfeito.
Eu não o conhecia,mas,cheguei as mesmas conclusões no decorrer da minha história.
Abração!

Valéria Martins disse...

Uhuuu! Como boa aquariana, eu já intúia tudo isso que o Dr. Gikovate colocou no papel. Está claro na minha cabeça e é o que eu peço em minhas orações. A questão é a prática... Quando eu rezo, peço que, quando acontecer, eu esteja aberta para receber esse homem e conseguir amá-lo de forma livre e saudável.
Creio que na medida em que o amor é mais livre e saudável, diminui o medo da perda (que ameaça quem ama). Ou estamos teorizando demais?...
Salve a Rô, que tem um amor assim há tanto tempo!

Pipas disse...

O texto é fantástico! Adorei a ideia de dois inteiros e não duas metades. É exactamente o que eu tenho idealizado para uma relação. Mas, enquanto ela não acontece, vou curtindo ficar sozinha, com o meu gatinho que não é tão bonito como essa da imagem, mas é um amor!

Ita Andrade disse...

Olá Pipas! Seja bem vinda!
Queria que soubesse que eu guardo portugal em meu coração.Vivi em Lisboa por 4 anos, trabalhei para o instituto Portugues do Patrimônio no Palacio da Pena. Minha passagem por teu país foi um divisor de aguas na minha carreira. Eu amo essa "velha senhora" porque ela me ensinou a ser livre....
Volte sempre!
abração

Liga o foda-se disse...

O texto parece perfeito mas nao sei se eh o costume, tem algo nele que nao me convence, talvez eu seja ainda muito romantico ?!

Monica Loureiro disse...

Adorei!
Vou copiar este post e passar para uma amiga minha....